Sobre

Somos religiosos, ateus e pessoas sem religião.

Somos um grupo de ativistas de diversos movimentos sociais que depois de muito debater, concluímos que uma marcha a favor do Estado Laico é necessária.

O Estado Brasileiro é laico apenas na teoria, já na prática presenciamos todos os dias cenas de interferência religiosa na política e em outros debates.

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Uma resposta para Sobre

  1. CESAR ELIZI disse:

    100 dúvida, necessária, a marcha é benvinda!
    Abaixo copio o artigo que publiquei no principal jornal de Campinas
    em 12/8/2011 que versa sobre o tema.
    Abraço
    Cesar Elizi

    SOBRE RELIGIOSOS E OUTROS ENLATADOS

    Em seu último artigo, “O homem:
    ser religioso”, o juiz André
    Fernandes elenca argumentos
    e pensadores a favor não
    apenas da liberdade religiosa,
    mas da inexorabilidade do fenômeno
    religioso no Humano,
    o que, segundo Fernandes, nos
    difere dos animais. Fernandes
    também se professa um conservador,
    definido pelo autor
    como aquele que “questiona
    (…) um mundo racionalmente
    perfeito e arrogantemente
    alheio a dimensão religiosa”.
    Neste texto, não pretendo
    discutir o exercício da fé por
    quem quer que seja, mas a linha
    de raciocínio utilizada por
    Fernandes pode levar a reflexões
    interessantes.
    Ora, conservador é definido
    por Houaiss (2001) como: aquele
    que defende ideias, valores e
    costumes ultrapassados ou a
    manutenção do status quo;
    aquele que luta pela defesa do
    autoritarismo. Mas Fernandes
    diz que conservador é questionar
    e aí me lembro de Nietzsche,
    que ousou questionar não
    apenas valores sagrados ou verdades
    eternas, mas também o
    conhecimento como fruto do
    estabelecimento de relações a
    partir de hipóteses. Para Nietzsche,
    o conhecimento deveria
    ser buscado no jogo velado
    que engendrou aqueles “valores”
    e aquelas “verdades” bastante
    terrestres e demasiadamente
    humanas.
    Para Fernandes estes tempos
    progressistas levarão à “degradação
    do Homem devido
    aos processos de secularização,
    demitificação e de todas
    as afirmações da morte de
    Deus”, o que remete direta e
    novamente a Nietzsche, mas
    proponho utilizarum desabafo
    de Nell Noddings, matemática
    e ex-reitor da universidade de
    Stanford: “Em conversas recentes
    com alunos de algumas de
    nossas melhores universidades
    me choca saber que muitos deles
    nunca foram levados a questionar
    na Escola que a estória
    de Adão e Eva é ummito e que
    seu status enquanto mito é parte
    de seu grande poder”. Se alguns
    veem degradação no horizonte
    do Homem, não a vejo
    como advinda da desmistificação
    daquilo que foi gerado pelo
    próprio Homem, e que, assim
    como a religiosidade dos
    elefantes, “pertence ao reino
    das fábulas”.
    Uma pergunta levantada
    por Fernandes é “se o Ser Humano
    não vai além de um punhado
    de moléculas (…) onde
    se funda sua grandeza?” Parece
    uma dicotomia onde só existem,
    de um lado, o religioso e,
    do outro, o ateu, apenas uma
    massa disforme de moléculas.
    Mas será isso mesmo? O Zaratustra
    de Nietzsche diria que
    “O Homem é corda estendida
    entre o animal e o Além-do-homem:
    uma corda sobre o abismo”.
    O abismo seria, talvez, a
    certeza que temos, diferentemente
    dos animais, que morreremos,
    não importando o que
    façamosemvida. Nietzsche critica
    em Zaratustra, mais do
    que qualquer outra coisa, os
    pregadores da morte por focarem
    suas mensagens e a vida
    num outro mundo, desprezando
    a vivida neste: “Há pregadores
    da morte (…) que prejudicam
    a vida. Roubam-nos desta
    com o engodo da ‘eterna’”. Para
    Nietzsche, ao contrário da
    degradação, o destino do Homem
    é superar-se para dar lugar
    ao Além-do-homem, alguém
    que já prescinde de um
    criador ou de um fim para
    amar a terra e a vida: “Amo todos
    os que são como gotas pesadas
    (…) da nuvem escura que
    paira sobre os homens, anunciam
    o relâmpago próximo e
    desaparecem como anunciadores.
    Vede: eu sou um anúncio
    do raio e uma pesada gota procedente
    da nuvem; mas este
    raio chama-se o Além-do-homem”.
    Fernandes distingue ainda
    laicidade, doutrina que preconiza
    a exclusão da igreja do
    exercício do poder político ou
    administrativo, de laicismo,
    que para o autor nada mais é
    senão um movimento de
    cunho autoritário, tendendo
    ao totalitarismo. Proponho
    aqui distinguir conservador, definido
    acima, de conservante,
    aquelas substâncias adicionadas
    aos enlatados. Alguns valores
    são como comida enlatada
    cujo prazo de validade expirou
    e que pode levar ao óbito por
    botulismo: é melhor jogar fora.
    Cesar Elizi é professor na Facamp e
    doutorando na Unicamp

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